Saturday, January 05, 2008

Devaneio

Como é que hei de falar de nós? Quando estou contigo parece que um íman poderoso arrasta minha corporação contra a tua, tenho que fazer um esforço desmedido para evitar tal contacto e, no fim, só me resta esta dúvida insalubre sobre os teus sentimentos por mim. Já me disseram que é impossível que haja tanta química quando o fenómeno não é mútuo, mas ainda tenho as minhas dúvidas. Quem me dera poder dizer o que sinto, mas existem coisas que não podem ser ditas. Não é justo que tal paixão respire tantas incertezas, que certas coisas, certos sentimentos, tenham que permanecer calados. Quem me dera que um dia me empurrasses contra uma parede e me beijasses com o mesmo desejo que eu te quero beijar a ti, que se soltasse esta indomesticável besta acorrentada por maciça corrente animada. Receio que tudo isto se passe única e exclusivamente na minha cabeça, que não haja nada entre nós, que tudo não passe de uma alucinação que este ópio me faz ver onde não há o que ver. É um fel que me corrói por dentro, um fogo que cavalga o meu esófago para o interior das minhas vísceras, até o engolir da saliva é calculado quando estou perto de ti. Sinto isso quando me tocas, quando me olhas, quando me falas.

3 comments:

operte said...

intenso, no mínimo.

patricia said...

lindo!!!!!

Hfino said...

brutal