Thursday, August 17, 2006

Rio Jordão

Deixo fluir,
Não tenho opção,
Deslizo,
Qual Rio Jordão.

É tão certo,
Para lá do céu aberto,
O Mar Morto.

Quero estagnar,
Cessar,
Tempo não concilia,
Rumo sem alegria.

Em mim,
Nasceram peixes,
Por isso lançar-me-ão feixes?
Não mereço esse fim.

Já escrevi este poema à algum tempo.

Retrata um fim atormentador que inevitavelmente me espera, um abismo que se atravessa no meu caminho.


3 comments:

Nobody's Bitcho said...

«Retrata um fim atormentador que inevitavelmente me espera, um abismo que se atravessa no meu caminho.»

oO

Como assim? :o


Hugz :)

Water Element said...

É tão certo,
Para lá do céu aberto,
O Mar Morto.

Em mim,
Nasceram peixes,
Por isso lançar-me-ão feixes?
Não mereço esse fim.

O que me espera é o "Mar Morto", o rio Jordão desagua nesse mar.
O rio perde assim a sua individualidade, perde a sua protecção e mistura-se com a água salgada do mar.
Eu tenho receio de me misturar com a sociedade, de me misturar como realmente sou. Tenho medo que sintam a água doce que corre em mim, o quanto sou diferente...
"Em mim, nasceram-me peixes", não tenho culpa que assim seja, simplesmente surgiram. Por causa de uma "cousa" que não tenho controlo, as pessoas ameaçam-me discriminar-me, apontar-me o dedo ou talvez pior... "lançar-me-ão feixes?"

SdA said...

Corro o risco de ser repetitivo mas fiquei assutado com o poema... sufoquei-me um bocado ao lê-lo... preciso de uma explicação...

«Retrata um fim atormentador que inevitavelmente me espera, um abismo que se atravessa no meu caminho.»

Ahhh ja percebi... Epah.. passa pelo meu blog e lê com atenção. Aí talvez percebas que um dia também pensei assim, pelo mesmo motivo, e hoje estou muito bem comigo e com o mundo...

Aquele abraço